Ana Pereirinha diz o que pensa sobre o Acordo Ortográfico

Excelente entrevista do Booktailors  a Ana Pereirinha,  da editora Planeta.

Que pensa do novo Acordo Ortográfico? Sou contra, como tem sido público e tenho afirmado sempre que posso. Não serve a língua, não serve a liberdade de pensamento ao cortar as raízes com a memória da língua. A simplificação sempre foi a mãe de todos os totalitarismos, mas uma simplificação feita à martelada, então, é sem comentários. Este «Acordo» não serve rigorosamente ninguém, a não ser alguns interesses políticos e económicos localizados e a falta de ideias para a área da Cultura, onde, aí sim, faz, e fez, muita falta para mostrar serviço. A riqueza da Língua Portuguesa no mundo está na sua diversidade, e é uma riqueza inalienável. Em contraste com um Acordo que não tem lógica nem rigor e que já ninguém quer mas onde o poder político não recua para salvar uma face que não tem, de resto, salvação possível. Fico feliz da vida, a rebentar de orgulho, quando ouço o Rubem Fonseca dizer «nós, portugueses», quando leio que o meu grande, magnífico, Caetano esclarece os poucos resistentes da «modernidade» (versus os botas de elástico…), que, na sua canção «quero roçar a minha língua na língua de Camões» equivale a «o Acordo Ortográfico é uma maluquice», ou quando o Jornal de Angola publica um editorial em defesa do português etimológico. Não direi a minha pátria, mas a minha terra, o meu húmus, é a língua portuguesa, sim, senhores: sou brasileira, sou angolana, sou moçambicana, sou timorense — com um orgulho imenso e um entendimento pleno. Não tenho o português «bom» — cresci a ler quadrinhos brasileiros, como toda a minha geração, e a aprender muitas coisas novas e expressões diferentes com isso. Entendi e entendo o português do mundo: estou-me nas tintas se os estrangeiros o aprendem com sotaque brasileiro ou português, é-me rigorosamente igual. Vivo no mais antigo e mais pobre país onde se fala português? Não estou em bicos de pés. E entendo que as minhas raízes são gregas, latinas e árabes. Lá está, somos todos «gregos» e andamos a ver-nos gregos por disparates sem fim, com este desacordo sem tom nem som.

Leia tudo aqui.

1 Comentário

Filed under ACORDO ORTOGRÁFICO, Portugal

One response to “Ana Pereirinha diz o que pensa sobre o Acordo Ortográfico

  1. fantasiaseperplexidades

    Mais uma mulher de armas: “bastam duas ou três balas argumentativas, razões de chumbo miúdo contra a ausência total de razões: pum, pum, estás morto!”
    Obrigada, Ana Pereiriha Pires!

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