Opinião de Rui Castro na Sábado

Rui Castro

Socialismo, uma via com custos para os utilizadores

Vivemos nos últimos 40 anos embriagados pela promessa de uma sociedade próspera e igualitária. Durante este período, com a generosidade própria de quem dispõe do que não é seu, distribuíram-se empregos – que não trabalhos -, subsídios, abonos, rendimentos mínimos ou de inserção e outras benesses tais, que nos foram mantendo apáticos e indiferentes ao que se passava à nossa volta.

Ricos e pobres, sem critério, escrutínio ou fiscalização de espécie alguma, acederam a subsídios e abonos que empobreceram o país e que, a final, não cumpriram os objectivos a que se destinavam. Os montantes, manifestamente baixos, de pouco serviram aos mais pobres, constituindo, para os mais abastados, um acréscimo injustificado e inconsequente.

Por outro lado, construíram-se auto-estradas que nos ligam hoje a sítio nenhum e que estão vazias por falta de dinheiro para pagar o combustível e as portagens. Construíram-se escolas, que estão hoje a fechar por falta de alunos, e hospitais, com semelhante destino por falta de verbas para os manter. Pelo país fora, proliferam dezenas de tribunais, incapazes de fazer a justiça que tarda.

Foram quatro décadas desbaratadas, em que se esbanjou a escassa riqueza do país, produto do nosso trabalho, e, mais grave, se hipotecou o futuro dos nossos filhos, em nome de uma falsa ideia de imediata felicidade.

Os sucessivos governos prometeram o paraíso na terra, alimentaram criteriosamente as clientelas ao ritmo cadenciado dos ciclos eleitorais e todos nós, habitualmente incréus, confiámos cegamente na oferta de saúde, educação e justiça gratuita para todos, esquecendo que um dia seríamos chamados a pagar a generosidade dos que geriram o dinheiro dos outros com a displicência própria de quem tem a consciência da irresponsabilidade dos seus actos.

Tudo foi possível, em nome de uma perseguida igualdade e de uma certa ideia bacoca de colectivismo, que, durante anos a fio, permitiu que fosse sub-repticiamente consignada uma parte considerável dos rendimentos de todos nós…e o dos nossos filhos.

Aqui chegados, verificamos que há mais desempregados, mais pobres e, pior, que endividámos as gerações mais novas e até as futuras.

Tenho para mim que a justificação do desvario que hoje nos massacra está lavrado, com as cores duras da vergonha, no preâmbulo da Constituição da República Portuguesa, quando se lê “a decisão do povo português de (…) abrir caminho para uma sociedade socialista (…)”.

Foi este socialismo, durante muitos anos travestido de social-democracia ou de outras ideologias de ocasião, que aqui nos trouxe. Este socialismo, não nos tendo levado a lado nenhum, roubou-nos a esperança de um futuro melhor.

A culpa, porém, não é só dos que fingiram governar-nos, governando-se. A culpa, infelizmente, é nossa. É de todos nós ou não fôssemos, quase todos, cúmplices por omissão deste atentado de lesa pátria. Quando oiço o Otelo ladrar por uma nova Revolução, lembro-me sempre dos que, em nome dela, praticamente acabaram com a Nação. Porque isto, meus amigos, já não é bem um país. É uma espécie de massa falida. E sem massa. Os que querem acabar com o resto, com o que falta (e falta muito pouco), estarão agora apostados em diminuir a nossa capacidade de resposta. Em fintar a nossa coesão. Na falta de uma nova Revolução, sempre se poderá lançar a confusão. Semear a barafunda e a crispação social. A desconfiança.

Quando importa erguer a bandeira da união, sempre haverá quem prefira agitar a da reivindicação, como se pudéssemos exigir tudo a um Estado que não tem nada… Isto está mal. Para piorar, venha uma Greve Geral.

Com  a devida vénia à Sábado 

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Obs: 

No ponto!

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Filed under Europa, Política Caseira, Portugal

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