Tortura no RALIS em Maio de 1975

Via Corta-Fitas

[…]

Em Maio de 1975, durante o glorioso PREC, Marcelino da Mata foi detido pela tropa fandanga, essa que a nossa esquerda muito aprecia ainda. Esteve preso e foi espancado no RALIS durante 6 horas, tendo sido levado para Caxias, onde foi encarcerado em regime incomunicável durante 90 dias. Descreve assim a tortura a que foi submetido peloscomissários comunistas: “Apareceu depois das 24:00 um indivíduo alto, forte e de cabelo e barba compridos que, intitulando-se segundo-comandante do RALIS – mas que depois vim a saber que se tratava de um militante do MRPP conhecido por Ribeiro –, me estendeu um papel para aí eu escrever tudo o que sabia sobre o ELP. […] Uma vez que jamais tinha ligação com o ELP ou qualquer organização outra, respondi-lhes negativamente. […] o capitão Quinhones ordenou que me fossem batendo à bruta até que eu confessasse. Apareceu então o [comandante do RALIS] tenente-coronel Leal de Almeida que [apesar de muito bem conhecer da Guiné o deponente] me disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados, e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem isso.

Ordenou o capitão Quinhones que me encostassem à parede e despisse a camisa, o que tive de fazer. Após isto, fui agredido sete vezes com uma cadeira de ferro nas costas, o que me provocou vários ferimentos. Não resistindo caí, mas o capitão Quinhones disse que me pusesse de joelhos e um outro indivíduo que entrou intitulando-se oficial de marinha, agrediu-me mais duas vezes com a cadeira. Após isto o capitão Quinhones e o furriel Duarte, um de cada lado, agrediram-me com o cinturão por todo o corpo e eu, que já sentia dores na coluna, senti dores nas costelas e caí novamente no chão. O capitão Quinhones ria-se e dizia que o tenente-coronel Leal de Almeida queria que eu falasse nem que eu ficasse todo partido e que ele ia mesmo fazer-me falar. […] Então o capitão Quinhones ordenou ao tal [militante do MRPP] Jorge que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz. Pela terceira vez que me fizeram isto desmaiei, pois não aguentei. Quando recuperei tornaram, o capitão Quinhones e o furriel Duarte, a agredir-me com os cinturões e a cadeira de ferro, sentindo eu nessa altura que devia estar com fractura da coluna e costelas e tinha vários ferimentos grandes em todo o corpo. Mais uma vez não aguentei e desmaiei. Ao recuperar os sentidos encontrava-me todo molhado e ensanguentado, não tinha movimentos nas pernas e quase não podia respirar além de fortes dores por todo o corpo.”

Via Corta-Fitas

1 Comentário

Filed under Comunismo, Direitos Humanos, Portugal

One response to “Tortura no RALIS em Maio de 1975

  1. Serve este comentário para informar a quem não saiba que o Quinhones referido no artigo sobre a tortura no RALIS era o então capitão MANUEL AUGUSTO SEIXAS QUINHONES DE MAGALHÃES no sentido de evitar confusões com o outro oficial do mesmo apelido e que não teve nada a ver com o assunto.

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