Começo da campanha para as legislativas de 2012?

Os comentários de Samakuva ocorrem depois dos preços dos combustíveis terem aumentado 50%

UNITA acusa MPLA de ‘perseguição’
Louise Redvers
Correspondente da BBC em Luanda
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Em Angola os dois principais partidos embrenharam-se num aceso duelo político, assinalando o que parece ser o início não oficial da campanha para as legislativas de 2012.

O MPLA, no poder, emitiu na noite de terça-feira um comunicado a acusar a UNITA, na oposição, e o seu líder, Isaías Samakuva, de incitarem à desobediência civil.

Estas acusações derivam de uma entrevista que Samakuva deu à Rádio Despertar, afeita à UNITA, sobre os tumultos em Moçambique – em que considerou que uma situação semelhante poderia ocorrer em Angola porque a pobreza no seu país estava a aumentar.

Os comentários de Samakuva ocorrem depois dos preços dos combustíveis terem aumentado 50 por cento, do encerramento do principal mercado de Luanda, o Roque Santeiro, e da promulgação de uma nova lei sobre a proibição da importação de carros com mais de três anos de uso.

Acusações

O porta-voz do MPLA, Rui Falcão Pinto de Andrade, apelou aos membros do seu partido e a todos os angolanos para que não dessem ouvidos a tais declarações.

“Não podemos cair em atitudes impensadas e irreflectidas por parte de pessoas que nunca fizeram nada por este país”, desferiu.

No fim-de-semana, um jornalista da Rádio Despertar foi morto a tiro em circunstâncias consideradas “suspeitas” pela UNITA.

O partido diz que está também à procura de respostas para uma outra morte a tiro, no mês passado, no Huambo, de uma representante da sua Liga da Mulher Angolana, LIMA.

Numa conferência de imprensa em Luanda, Samakuva acusou esta quinta-feira o Governo angolano “de violações constantes dos direitos humanos direccionadas para a intolerância e para a exclusão social”.

Conta-acusações

Antes, o Ministério angolano da Comunicação Social tinha emitido um comunicado a criticar “a postura da Rádio Despertar pela divulgação de conteúdos informativos que incitam a população a rebelar-se contra as instituições legalmente constituídas e democraticamente eleitas”.

Samakuva reagiu dizendo que o MPLA estava a “tentar desviar as atenções do povo.”

As denúncias do MPLA contra a UNITA seguem-se a vários artigos e editoriais no Jornal de Angola – uma das muitas publicações estatais do país – a acusar pessoas e organizações que criticaram o Governo.

Entre os alvos destes artigos encontra-se o jornalista angolano Rafael Marques, que tem vindo a publicar reportagens controversas a acusar ministros e personalidades próximas do presidente José Eduardo dos Santos de corrupção generalizada.

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