Já chega de Guterres
Dói, mas é verdade: quando eu nasci (1979), Portugal estava somente a sair do terceiro-mundo. O país da minha infância (o Portugal dos anos 80) era – no máximo – uma terra de remediados. Mas, apesar de tudo, este Portugal era realista; os portugueses tinham os pés bem assentes no chão rugoso da sua História. O problema surgiu nos anos 90. Durante esse longo sono guterrista, Portugal começou a pensar que já era ‘europeu’; os portugueses esticaram os sonhos e começaram a viver como holandeses. O mal-estar que agora percorre Portugal é, na verdade, o fim dessa ilusão criada por Guterres. Os portugueses (ainda) não são holandeses.
Não podemos esconder Portugal atrás dos biombos guterristas elaborados no tear do “power point” semanal. Temos de sair da mentira de 1998 (Portugal: país ‘europeu’) e regressar à dura realidade de 1988 (Portugal: país a caminho de ser ‘europeu’).
Maio de 2008