Monthly Archives: Maio 2010

Em Memória das Vítimas de 27 de Maio de 1977

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DE ANGOLA

«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política»

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Filed under Angola, África, Direitos Humanos, História, Memórias

Pare, leia e medite! Antes de dizer asneiras…


Os Portugueses não gostam de estudar ?


Trata-se de uma entrada no blog do Venerando Matos (Vedrografias) e que comenta números muito interessantes (divulgados hoje no Público)
no que respeita ao “interesse” escolar dos alunos portugueses – parece que, afinal, não somos nós os culpados do insucesso deles!!
“São marcas que continuam a acompanhar os portugueses. Cá dentro, Portugal tem a segunda taxa mais elevada de abandono escolar precoce
da União Europeia. Lá fora, os filhos dos emigrantes portugueses continuam a desistir. No Luxemburgo, um em cada quatro alunos que abandona a escola secundária é português, dá conta um estudo do Ministério da Educação luxemburguês, ontem divulgado pela agência Lusa.
“Entre os estudantes estrangeiros que frequentam o ensino secundário naquele país, os portugueses são os que apresentam a maior taxa de
abandono escolar. No último ano lectivo, estavam inscritos nas escolas públicas 7046 portugueses. Desistiram 454, o que representou um
aumento de cinco por cento em relação ao ano anterior. Os alunos portugueses representam 19,1 por cento da população estudantil do
Luxemburgo. São o maior grupo entre os estrangeiros que estudam naquele país.
“A outra face da mesma moeda: dados recentes mostram que, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha e Suíça, os filhos dos emigrantes portugueses
estão também entre os que obtêm resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras. Para Hermano Sanches Ruivo, responsável pela primeira associação de luso-descendentes criada na Europa, a Cap Magellan, a reprodução desta situação deve-se em grande parte ao facto de muitas famílias continuarem a não valorizar o papel da educação. “Para muitos, educação é os filhos fazerem o que eles fizeram”, comenta ao PÚBLICO. “Não têm tempo para acompanhar os filhos, não gastam dinheiros em aulas suplementares para compensar atrasos. Os jovens, por seu lado, têm como preocupação começarem a trabalhar o mais rapidamente possível.”
“Também o organismo que coordena os serviços escolares na Suíça (CDIP) apontou, em 2007, o dedo às famílias. Os fracos resultados escolares
das crianças portuguesas devem-se “ao desinteresse total dos pais em acompanhar” a educação dos filhos e à “origem sócio-cultural modesta”
destes, afirmava-se num documento que suscitou a indignação dos representantes portugueses naquele país.
“Sanches Ruivo, que foi o primeiro luso-descendente a ser eleito para a Câmara de Paris, considera que a responsabilidade desta performance
negativa recai também sobre os sucessivos governos portugueses. Tem sido feito muito pouco para promover a língua portuguesa, constata. Um
resultado: em França, apenas 30 mil pessoas estão a aprender português, os estudantes de italiano são quase 300 mil, os de espanhol três milhões. Advertindo que a falta de visibilidade da língua e da cultura significa também mais dificuldades na integração, defende que é necessário desenvolver um trabalho de pressão, de lobbying, para levar a que o ensino do Português seja integrado nos sistemas educativos dos países de acolhimento. Por enquanto continua a cargo de associações de emigrantes.”
Pois é!
Andou o Ministério da Educação, nos últimos anos, sob a liderança de Maria de Lurdes Rodrigues, com o beneplácito de um agradecido José
Sócrates, acolitada por um Lemos e um Pedreira, com o apoio propagandístico de alguns “opinadores”, como Emídio Rangel ou Miguel Sousa Tavares, a despejar sobre a opinião pública a ideia de que os professores portugueses eram uma espécie de crápulas, responsáveis pelo abandono escolar e pelos maus resultados dos alunos, para vir agora um estudo do Ministério da Educação do Luxemburgo revelar que são os estudantes portugueses naquele país os que registam mais abandono escolar e piores resultados.
Afinal, como prova esse estudo, reforçado por situação idêntica noutros países, como os Estados Unidos, o Canadá, a Grã-Bretanha e a Suiça, o facto das famílias portuguesas emigrantes não valorizarem o estudo e o ensino, está na origem do abandono escolar e dos maus resultados.
Ou seja, em sistemas de ensino diferentes, com condições de trabalho e formação dos professores diversos, o resultado é sempre o mesmo em relação aos estudantes portugueses: alto índice de abandono e fracos resultados escolares.
Apontam ainda aqueles estudos como principais responsáveis pela situação as famílias que não valorizam os estudos. Obviamente que em
Portugal a razão é a mesma.
Depois da divulgação desta notícia, só por má-fé, ignorância e/ou inveja social é que o “bando” de Maria de Lurdes , os “opinadores” do costume e o “paizinho” Albino Almeida, podem continuar a despejar sobre a opinião pública a ideia da “culpa dos docentes” pelo estado calamitoso do ensino indígena.
De facto existe na sociedade portuguesa uma tendência generalizada para desvalorizar o estudo, o esforço intelectual e a responsabilidade das famílias na educação dos filhos.
O ataque desferido nos últimos anos à classe docente tem contribuído para agravar ainda mais essa situação.
Num país onde “opinadores”, economistas e políticos transmitem como imagem de valorização pessoal e económica, actividades como a
especulação financeira e imobiliária, o futebol e os concursos de fama efémera, não é de admirar que se desvalorize socialmente o conhecimento e a aprendizagem.
Basta olhar para os escaparates dos quiosques para percebermos isso: existe uma imensidão de publicações dedicadas ao futebol, à vida cor-de-rosa de famosos por serem famosos, ou à divulgação de truques financeiros para enriquecer rapidamente.
Por exemplo, se alguém quiser encontrar uma revista de Cultura, de Arte ou de História, de edição regular, só recorrendo à imensidão de publicações espanholas ou francesas de boa qualidade.
O Jornal de Letras é a excepção, mesmo assim sobrevivendo com dificuldades e quinzenalmente. O Blitz, para sobreviver, teve de passar a revista mensal.
Perante esta realidade até podemos ter o melhor sistema de ensino do mundo, que nunca chegaremos a lado algum.
Observações:
Este pequeno artigo de desabafo chegou-me ás mãos via e-mail.

Quando os grandes “Técnicos” da educação como Maria de Lurdes Rodrigues ou  de um Lemos e um Pedreira (grandes pedagogos da treta) acolitados  por mercenários da palavra como Emídio Rangel ou Miguel Sousa Tavares, falam de educação onde se baseiam eles para falarem com o minino de autoridade ou credibilidade?

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Alta tensão ao longo das costas da Coreia.

Manobras militares com EUA no Sul e estado de alerta no Norte

Os Estados Unidos vão participar em dois exercícios navais ao longo das costas da Coreia. Os exercícios resultam do súbito agravamento da tensão entre as duas Coreias. A Coreia do Norte, por seu lado, terá colocado em estado de alerta as suas Forças Armadas desde quinta-feira passada, segundo hoje revelou um grupo dissidente norte-coreano e também acusou a Coreia do Sul de ter violado hoje as suas águas territoriais.

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Um Mundo sem Europeus,ou uma Europa sem lideres?

por Henrique Raposo, Publicado em 24 de Maio de 2010

São duas histórias que se entrelaçam, duas histórias que só fazem sentido se forem contadas ao mesmo tempo, lado a lado. A primeira tem como protagonista a Europa, e o drama gira em torno do declínio económico e normativo dos europeus. A segunda é protagonizada pela política externa dos EUA, e o enredo aborda a forma como Washington está a redefinir o conceito de Ocidente através das suas alianças com as democracias asiáticas. Estas duas histórias são inseparáveis, porque o drama do declínio europeu só é compreensível se for observado pelo buraco da fechadura americano. Em 2010, podemos dizer que os EUA cumpriram o velho desejo do pai fundador, Alexander Hamilton. Que desejo era esse? De forma clara e cristalina, Hamilton pretendia que os EUA colocassem ponto final no domínio da Europa aristocrática sobre o resto do mundo. O sonho de Hamilton está cumprido. O sonho era, afinal, uma profecia.

Em 2010, podemos dizer que a Europa não tem qualquer centralidade na política mundial. Vivemos literalmente num mundo sem europeus. Como já se tornou evidente até para o europeísta mais empedernido, a Europa está a perder poder na política mundial, ou seja, encontra-se em declínio relativo perante os novos poderes (China, Índia, Brasil, Coreia do Sul, etc.). A Europa pesa cada vez menos na demografia global e na economia mundial. Além disso, a capacidade militar europeia também pesa cada vez menos no xadrez geopolítico. Este declínio relativo no campo do poder já seria, per se, um enorme problema para a Europa. Mas, atenção, esta perda de poder puro e duro representa apenas metade do problema que os europeus têm pela frente. De facto, a Europa não está em declínio apenas no campo do poder. A Europa também está em declínio no campo da legitimidade e das narrativas normativas, e este facto qualitativo é uma evidência no resto do mundo, embora seja um tabu na Europa. Os europeus ainda julgam que têm uma legitimidade especial dentro da comunidade internacional, mas, na verdade, o início do século XXI marca o ponto mais baixo da legitimidade da Europa perante o resto do mundo. Ou seja, além de estar a perder poder (economia, demografia, força militar), a Europa também está a perder autoridade (o poder moral que permite decidir o que está certo ou errado dentro da comunidade internacional).
Portanto, a grande novidade em 2010 já não é o declínio relativo dos europeus no campo do poder material. Aliás, até podemos dizer que isso já não é novidade. Em 2010, a grande novidade é, isso sim, a perda de importância da Europa no campo da autoridade moral. Este facto ficou evidente na famosaCimeira de Copenhaga (Dezembro 2009). Nessa cimeira ambiental, os europeus não tiveram capacidade para impor as suas narrativas normativas. O ambiente não é a preocupação central das sociedades asiáticas, como, por exemplo, a chinesa. E a posição política do Estado chinês também é clara: as metas que a Europa pretendia impor em Copenhaga representariam a imposição de restrições injustas e impraticáveis aos países em desenvolvimento. Aliás, nas potências emergentes, esta agenda ambiental europeia é descrita como “imperialismo verde“: boa parte dos asiáticos considera que a tal agenda verde é, na verdade, uma forma de a Europa bloquear a ascensão económica das potências asiáticas. Como sabemos, foi esta narrativa asiática que triunfou em Copenhaga. A elite europeia foi quixotescamente humilhada.

A definição daquilo que está certo ou errado na comunidade internacional já não está em mãos europeias; definir o bem ou o mal da política internacional deixou de ser um privilégio europeu. Copenhaga foi, assim, a oficialização mediática desta decadência normativa do Velho Continente. Porém, e contra todas as evidências, a elite europeia recusa aceitar este facto. A elite europeia recusa aceitar a ideia de que a Europa já não determina a moral e as regras da comunidade internacional. Logo a seguir à Cimeira de Copenhaga, muitos responsáveis europeus criticaram com o seu típico moralismo aChina e os EUA pelo fracasso da cimeira. Esta atitude é a pior que os europeus podiam ter. Em vez de encarar de frente o facto político (o declínio material e normativo da Europa), a elite europeia prefere diabolizar os EUA e a China. Aliás, este é um esquema mental comum na Europa. A elite europeia recria – há várias décadas – um duelo normativo entre EUA e Europa. Este duelo repetido ad eternum cria uma ilusão: a Europa, assim reza a fantasia, detém as soluções normativas certas; soluções que, claro, são partilhadas por toda a Humanidade. Ou seja, a Europa vê-se como representante normativo do Resto do Mundo e, por isso, sente legitimidade para contestar as soluções normativas de Washington, a suposta pária normativa da política mundial. Esta é uma enorme falácia. Washington tem mais em comum com o resto do mundo do que a Europa. Além disso, os EUA partilham as mesmas convicções com o restante mundo democrático (do Brasil à Índia).

Em 2010, podemos dizer que os europeus saíram mesmo da história, ou seja, deixaram de pensar em termos políticos. O homem europeu deixou de pensar nas relações políticas com outros homens, e começou a idealizar o homem apolítico e abstracto, o homem do TPI e da ONU. Ao deixar de pensar com termos históricos e políticos, ao deixar de pensar através de conceitos como Estado e democracia liberal, a elite europeia tornou-se simplesmente cega em relação às outras democracias.

“Um Mundo sem Europeus” foi feito contra este torpor apolítico da elite europeia. Queremos atacar este dado paradoxal: os europeus de hoje estão a trair a maior ideia europeia, a democracia liberal. Em consequência, “Um Mundo sem Europeus” tentou recuperar para a Europa contemporânea o pensamento de autores clássicos como Montesquieu, Kant, Burke e Aron. E por que razão é importante relembrar estes pensadores? Porque os europeus precisam de voltar a pensar a política através do Estado. Porque a Europa de hoje necessita de redescobrir a evidência esquecida: a democracia e as liberdades só existem dentro de um Estado gerido pelo constitucionalismo liberal. Porque a elite europeia necessita de reencontrar outra velha ideia, que a amnésia habermasiana tem procurado esconder: uma verdadeira ordem cosmopolita não nasce da abolição das soberanias e da emergência do santo imperialismo jurídico de um TPI ou de uma ONU; uma ordem cosmopolita não nasce do ventre de uma democracia pós-nacional e global, mas sim de uma interacção entre democracias liberais.

A redescoberta de Aron, Burke, Montesquieu e Kant não oferece um mapa sagrado em direcção ao futuro, em direcção ao fim de história. Mas, se redescobrissem estes autores, os europeus de hoje readquiriam, em primeiro lugar, capacidade analítica para percepcionar os factos da política internacional. E, em segundo lugar, redescobririam uma nova narrativa para a Europa no século XXI. Se tivessem a coragem para esquecer Habermas e abraçar Aron, os europeus descobririam que a Europa faz parte de uma imensa confederação kantiana, que assenta na ideia mais reluzente do património político europeu: a democracia europeia.

Mas nada disto vai acontecer. A elite europeia não tem a humildade suficiente para se confrontar com a realidade. Entre a ilusão da humanidade unificada no estirador eurocêntrico e a realidade pós-atlântica, a elite europeia escolhe sempre a primeira. A elite europeia prefere estar errada com Habermas do que estar certa com Aron. Os antigos tinham um nome para este fenómeno: decadência. O livro “Um Mundo sem Europeus” é uma revolta documentada contra essa decadência.

Observação:

Um livro a ler com alguma urgência.

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É! A realidade é sempre muito dura…

Já chega de Guterres

Dói, mas é verdade: quando eu nasci (1979), Portugal estava somente a sair do terceiro-mundo. O país da minha infância (o Portugal dos anos 80) era – no máximo – uma terra de remediados. Mas, apesar de tudo, este Portugal era realista; os portugueses tinham os pés bem assentes no chão rugoso da sua História. O problema surgiu nos anos 90. Durante esse longo sono guterrista, Portugal começou a pensar que já era ‘europeu’; os portugueses esticaram os sonhos e começaram a viver como holandeses. O mal-estar que agora percorre Portugal é, na verdade, o fim dessa ilusão criada por Guterres. Os portugueses (ainda) não são holandeses.

Não podemos esconder Portugal atrás dos biombos guterristas elaborados no tear do “power point” semanal. Temos de sair da mentira de 1998 (Portugal: país ‘europeu’) e regressar à dura realidade de 1988 (Portugal: país a caminho de ser ‘europeu’).

Maio de 2008

por Henrique Raposo

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Nem mais, nem menos…é este o ponto!

Muito tarde para patriotismos

Discutimos animadamente as perspectivas do patriotismo nos próximos anos, depois de ele, um acrisolado patriota, ter anunciado que não lhe restava senão refazer a sua vida no estrangeiro, num momento em que a sua vida parecia encaminhar-se para um apogeu de estabilidade e de prosperidade.
Lembrei-me que há muito um país que se expande pelo mundo – não por sonho glorioso e glorificado, mas a mais das vezes por estrita necessidade – é um país composto por gente que precisa de sentir-se patriota para não cair no mais fundo desespero, e por isso teci um novelo de argumentos que se acastelaram numa sequência muito pouco convincente, do género “o patriotismo é, neste momento, partir”.
Na realidade o patriotismo, se é o atordoamento da crítica contra os que governam e desgovernam e se governam, é neste momento uma atitude estúpida e inoportuna: é a atitude daquele sabujo que segue o patrão quando este, anunciando a iminência do encerramento da empresa, apela a que todos mostrem a sua solidariedade e “vistam a camisola da equipa”.
É contando com essa fidelidade que os abusos surgem, e contando também com os idiotas úteis que sonham com a “resistência interna” e com a possibilidade de regeneração dialéctica dos males – isto ao mesmo tempo que, sem hesitação ou angústia, vão oferecendo a sua pronta colaboração.
Digamos isto de outro modo: o patriotismo é um sentimento útil e valioso se nos serve de base para partilha e para cooperação entre aqueles que o nutrem; mas é um sentimento inútil e perigoso se a ele servimos em holocausto a nossa liberdade e o nosso discernimento, se ele se torna num obtáculo à possibilidade de vivermos honradamente uma vida bem vivida, no sentido de vida com significado, num qualquer recanto do planeta.
Sublinhado do «Livros-Documentos»

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Mais uma histeria dos patetas de Maomé.

MAOMÉ

Paquistão bane YouTube e Facebook até dia 31

por LUMENA RAPOSOHoje

Decisão tem como objectivo impedir o concurso de desenhos representando o profeta e lançado por um utilizador ocidental

O “Dia de desenhar Maomé” foi o desafio lançado, há um mês, por um utilizador ocidental do Facebook e que deveria concretizar-se ontem. No Paquistão, e para evitar que tal “blasfémia” acontecesse, o Supremo Tribunal de Lahore – a pedido de um grupo de advogados – ordenou às autoridades que bloqueassem o acesso ao Facebook até ao próximo dia 31 – quando a situação for levada a tribunal – , medida também extensiva ao site de partilha de vídeos YouTube.

As manifestações de protesto e condenação começaram mal o concurso foi anunciado. E não se limitaram ao Paquistão, embora neste os protestos tenham sido mais hostis, o que revela o poder dos muçulmanos integristas no país em causa.

Em Islamabad, por exemplo, centenas de manifestantes saíram à rua, em resposta ao apelo lançado por um partido islamita, e exigiram o boicote ao Facebook e ao YouTube. Palavras de ordem antiocidentais foram gritadas pelos manifestantes, que pediam ainda aos muçulmanos para “sacrificar a sua vida pela glória do islão e do profeta Maomé”.

“Abaixo a América!”, gritaram, por seu turno, estudantes e religiosos que se manifestaram em Lahore e que exigiam ainda a ruptura de relações diplomáticas do Paquistão com a Dinamarca, a Suécia e a Noruega. A referência a estes países prende-se com a publicação, pelos seus jornais em 2006, de caricaturas de Maomé, uma situação considerada não só ofensiva como blasfema pelos muçulmanos.

Para além do YouTube e do Facebook, a Autoridade das Telecomunicações Paquistanesa (ATP) ordenou também que outras páginas da Net fossem bloqueadas, num total de 450. Em comunicado, a ATP recordou que a decisão “está de acordo com a Constituição do Paquistão e a vontade do povo”. E o seu porta-voz, Khurram Mehran, justificou: “Vivemos numa república islâmica”.

“Se o Facebook e outros instrumentos forem usados por países do Ocidente para blasfemar [contra o islão e o profeta], nós transformaremos as suas embaixadas em alvo”, disse Faisal Javed, de 21 anos, ao Washington Post.

Não é a primeira vez que sites são bloqueados. O Google, por exemplo, já foi bloqueado pela China e é frequentemente alvo de censura de Pequim; o YouTube foi bloqueado na Turquia por conter “material ofensivo” ao fundador da república laica, Kemal Ataturk. O mesmo fez, em 2007, a Tailândia por “ofensa ao Rei”.

in DN Globe

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