Angola 20 Anos Depois (7)

  

AGOSTINHO NETO “ESCONDIA” EM LISBOA UM “CORREDOR-SOMBRA” PARA WASHINGTON

Pouco antes da morte de Neto, em 1979, a Casa Branca pedia a Luanda que “esquecesse” a ajuda norte-americana ao Zaire e à FNLA; Walker, Bzerzinski, McHenry e Moose previam “para breve” a normalização das relações diplomáticas com o regime de Agostinho Neto Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos lançaram na aventura dos corredores da Casa Branca alguns dos seus mais astutos negociadores. Por fim, em 1994, os Estados Unidos da América do Norte abriram, em Luanda, oficialmente, a sua representação diplomática, de facto. Quem foram os “homens de Neto” para os contactos com a Casa Branca? O nome de Paulo Teixeira Jorge, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, é indissociável dos esforços de Agostinho Neto para convencer os americanos. O JN descobre, entretanto, que o “velho” presidente tinha, “escondido”, em Lisboa, na década dos anos 70, um “emissário especial”. Uma “arma secreta” para “raids” à Casa Branca estratégica e tacticamente concertados, em linha síncrona, com o MNE angolano: o dr. Arménio Ferreira. Médico radicado em Lisboa. Antigo companheiro de Agostinho Neto nos bancos escolares e na Casa dos Estudantes do Império. Arménio Ferreira sentou-se, em Washington, credenciado por Neto, de frente para Richard Moose, Donald McHenry, James Overly, Zibgnew Bzerzinski, Walker, Funk, Alan Hardy, entre outros pesos pesados, médios e leves da política dos “States” para a África.Arménio Ferreira, cardiologista, não é diplomata de carreira, nem sequer “político encartado”. O seu estatuto confunde-se com afectos, coerências fecundas, sentido imperdível de constância na lealdade e na solidariedade. Não fosse o dr. Arménio tão modesto, tão avesso à pimponice mediática, e nós, os repórteres, dele tiraríamos, seguramente, revelações interessantíssimas sobre os “labirintos” e os muitos protagonistas da história de Angola e do MPLA. O que mais contraria Arménio Ferreira é o facto de ele não ter conseguido, ainda, em foro desapaixonado, divulgar o seu pensamento sobre o papel e a obra de Agostinho Neto. Quando o saudoso presidente angolano considerou útil e conveniente a colaboração de Arménio nas árduas conversações com os americanos, o médico não hesitou. Independentemente das circunstâncias, Arménio Ferreira respondia “presente!”.As incursões mais “trepidantes” deste emissário especial do presidente Neto, junto da Casa Branca, tiveram lugar em 1979. Isto é, pouco antes da morte de Agostinho Neto. Foi quando o dr. Arménio Ferreira, nos dias 29 de Julho e 9 e 16 de Agosto, andou numa verdadeira farândola entre reuniões e mais reuniões na Casa Branca e com os homens do Departamento norte-americano de Estado. Os altos funcionários encarregados, principalmente, dos Assuntos Africanos: Richard Moose, Donald McHenry, Walker, Alan Hardy, e outros. A sessão que mais terá marcado Arménio Ferreira foi, provavelmente, aquela segunda parte das conversações de 9 de Agosto (1979), por volta das 18 horas. Quando Arménio Ferreira, em representação da parte angolana, discutiu com uma delegação norte-americana da Casa Branca encabeçada por N. Walker. Este, investido das duplas funções de expert em Assuntos Africanos e representante governamental norte-americano para o “dossier Angola”, estava acompanhado, também, por Funk, secretário para a Segurança da Casa Branca.  

MEMORÁVEL

Dessa reunião, a 9 de Agosto, no Departamento norte-americano de Estado, guarda o dr. Arménio Ferreira uma impressão certamente memorável. No período da manhã, ele trabalhara com um “pesado” da Casa Branca, Zibgnew Bzerzinski (National Security). O americano quis saber, de Arménio Ferreira, se o presidente Agostinho Neto “poderia governar sem os cubanos”. O enviado angolano sorriu-se e aproveitou para lembrar aquilo que, de facto, mais embaraçava a Casa Branca: “Os cubanos só estão em Angola para combater e repelir a invasão sul-africana”. Dir-se-ia que os norte-americanos, prestes a aceitarem como irreversível a “normalização” das relações com Angola (1979), não perdiam ensejo de agitar, mais uma vez, o fantasma do “comunismo”. Bzerzinski disse mesmo ao dr. Arménio Ferreira, enviado de Agostinho Neto, que a URSS era o “suporte”, em “todo o mundo”, de vários “estados-marionetas”. Entrementes, o norte-americano Funk, da “National Security”, tem uma explanação no mínimo premonitória: “Actualmente, os Estados Unidos não auxiliam quaisquer organizações anti-angolanas”. E justificou: “Se o fizemos no passado era, somente, porque essas organizações apresentavam-se com uma máscara anti-comunista, dizendo-se com forte implantação junto das populações angolanas”.  

“NORMALIZAR!”

Finalmente, o próprio Bzerzinski foi categórico diante da expectativa crescente de Arménio Ferreira naquela reunião em Washington: “Desejamos e vamos normalizar as nossas relações diplomáticas com Angola. Julgo que Angola também o deseja”. Mais tarde, num breve esboço elaborativo dos seus registos, o dr. Arménio Ferreira tomou nota. “Quanto às palavras de Bzerzinski, interpreto-as essencialmente como um recado ao presidente Neto. No sentido de que as relações USA/Angola são provavelmente desejadas, neste momento, pela Casa Branca”. E, do seu próprio punho, acrescentava Arménio Ferreira: “Bzerzinski, nesse aspecto, foi claro, na qualidade de único dirigente norte-americano que falava como quem tem autoridade para o fazer”.E, aqui chegado, o dr. Arménio particularizava, da mesma entrevista com aquele alto funcionário da administração americana: “Quando o intérprete (F. de Rivera) me falou em “more normal relations between the two states”, eu interrompi-o. E disse-lhe que o conselheiro político do presidente Carter havia falado, sim, em “normal relations”. Bzerzinski concordou e confirmou, inteiramente, a minha versão, em inglês”.Arménio Ferreira rematava, assim, as suas apreciações ao perfil de Bzerzinski: “Elemento considerado como da linha dura da Casa Branca, ele foi de uma correcção comedida mas, ao mesmo tempo, simpático e frio no raciocínio. Como quer que seja, foi o único que disse claramente que os Estados Unidos da América do Norte iriam estabelecer relações diplomáticas com Angola. Não mencionou, todavia, qualquer data presumível”.  

“ACABEM JÁ COM A PARANÓIA!”

Paulo Jorge, antigo ministro angolano dos Negócios Estrangeiros, “encostou” Chester Croker e ouviu “promessas” de Cyrus Vince… Paulo Teixeira Jorge foi o carismático ministro angolano dos Negócios Estrangeiros durante a presidência do não menos carismático António Agostinho Neto. Ele tem, dos revoluteios da política externa dos Estados Unidos, um conhecimento quase visceral. Quanto ao “dossier” das relações entre Luanda e Washington, Paulo Jorge conhece todas as sofistarias da “máquina” da Casa Branca.Em Luanda, Paulo Jorge recebe, pela segunda vez no espaço de 48 horas, o enviado do JN. Especialmente para revisitarmos algumas “páginas” do grande livro negocial: Luanda versus Washington.JORNAL DE NOTÍCIAS – Quais foram os negociadores norte-americanos que revelaram maior apego à linha dura da Casa Branca?PAULO JORGE – Para começar: a posição da Casa Branca, se bem que eventualmente matizada, é uniforme. Eu dialoguei, por exemplo, variadíssimas vezes, com o então subsecretário de Estado, Chester Crocker. Claro que a posição dele era a posição do Governo norte-americano! Foi precisamente ao Chester Crocker que eu disse, num dos encontros, que os Estados Unidos deveriam reconsiderar sobre a “paranóia” anti-Angola e anti-Cuba. Em dado momento, o Chester Crocker faz avançar o tão falado “linkage”: interligar as questões referentes a Angola, presença cubana e Namíbia. E, em 1982, num comunicado conjunto Luanda-Havana, expressa-se a total rejeição de semelhante “linkage”! Este era um tema obrigatório nas minhas deslocações às Nações Unidas, na época. Já com Ronald Reagan na presidência dos Estados Unidos.JN – O Paulo Jorge utilizou o termo “paranóia” somente nas conversações com Chester?PJ – Utilizei-o também num discurso que proferi na Assembleia Geral das Nações Unidas.JN – Nunca conversou com o “moderado” Walker?PJ – Conversei com ele, uma vez, no âmbito das consultas bilaterais. Tive também encontros com o Cyrus Vance no período em que se encontrava Jimmy Carter na presidência dos Estados Unidos. Conversei, também, com o Alexander Haig. Com o Shultz, etc, etc, etc.JN – Na altura do falecimento do presidente Agostinho Neto estariam, já, a desenhar-se perspectivas fortes de entendimento com os Estados Unidos?PJ – Recordo que em 1978…1979, numa das minhas deslocações a Nova Iorque para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, eu tive um encontro com o Cyrus Vance, secretário de Estado norte-americano. E, então, abordámos sim a problemática do reconhecimento da República Popular de Angola pela Administração dos Estados Unidos. Estavam os democratas na Casa Branca, portanto. E o Cyrus Vance deu a entender que estaria em curso um processo tendente ao reconhecimento e, naturalmente, à normalização de relações diplomáticas com Angola. Só que, entretanto, em 1980, foi eleito o republicano Ronald Reagan…! E tudo se desmoronou. Foi tudo por água abaixo. Um dos primeiros passos de Ronald Reagan, em 1981, na Administração norte-americana, consistia na revogação da chamada “Emenda Clark”. Que impedia o Governo dos Estados Unidos de ajudar os “movimentos” de “oposição” aos regimes africanos. Já durante a campanha eleitoral dos republicanos se perfilava, e preconizava, uma ajuda à UNITA!  

DIGA AO DR. NETO QUE É UM “INFERNO” SER-SE AMIGO DE ANGOLA EM WASHINGTON

Walker, encarregado norte-americano do “dossier Angola”, queixava-se da sabotagem articulada por “comissões, senadores, deputados e uma certa Imprensa ávida de deixar mal vistos os amigos da causa angolana”… No interior da Casa Branca, durante a presidência angolana de Agostinho Neto, o poder democrata todos os dias traçava “fronteiras” entre os políticos hesitantes, às vezes mesmo contraditórios, e os políticos decididos. Um dos quais, Walker, não hesitou em mandar dizer ao presidente Neto: “Olhe que não é fácil, aqui em Washington, a vida de quem se mostra favorável a Angola!”. O enviado especial de Agostinho Neto (o médico Arménio Ferreira) percebeu, por outro lado, que os americanos já tinham como irreversível a opção de normalizar as relações diplomáticas com o regime de Neto. O líder angolano morreu, pouco depois, em Moscovo, vítima de cancro no pâncreas.  

Luís Alberto Ferreira
Enviado JN

O norte-americano Zibgnew Bzerzinski, alto funcionário da Casa Branca (conselheiro para a Segurança do Estado), chegou a ter este desabafo diante do dr. Arménio Ferreira, enviado de Agostinho Neto: “Considero que, realmente, Angola e o seu presidente têm conduzido uma política independente, e não desejamos que Angola seja base de um novo conflito entre Leste e Oeste”. Arménio ficou, por momentos, a contemplá-lo, e Bzerzinski prosseguiu nestes termos: “Queremos uma Angola livre e independente. E os Estados Unidos nunca intervirão, nós nunca interferiremos com o regime angolano. Seja qual for esse regime, como é timbre da nossa política na África Austral. Queremos a estabilidade na zona”. E, por último, Bzerzinski proferiu a célebre assertiva: “Desejamos e vamos normalizar as nossas relações diplomáticas com Angola. Julgo que Angola também o deseja”. Corria o Verão de 1979.O ambiente, rememora o dr. Arménio Ferreira durante a conversa com o JN, era de manifesta cordialidade. Tanto assim que Bzerzinski tivera, até, um gesto particularmente simpático: manifestou a Arménio a sua preocupação pelo estado de saúde da esposa do médico angolano, na altura melindroso. Estava-se a 9 de Agosto de 1979.Arménio Ferreira sentia-se, de facto, agradavelmente impressionado com as “performances” dos seus interlocutores.Ele gostou, especialmente, das posturas dialogais de Walker e de Richard Moose. “Os mais liberais do Departamento de Estado e da margem esquerda do Partido Democrático”, reitera Arménio Ferreira. Também McHenry, Donald McHenry, do “dossier” da Namíbia e embaixador na ONU, impressionou fortemente o emissário especial do presidente António Agostinho Neto.  

DONALD McHENRY – A “SINCERIDADE”

No entender de Arménio Ferreira, o poder democrata norte-americano “tropeçava” nos remanescentes da mentalidade conservadora adjutória das políticas republicanas – o “inferno” para as aspirações dos países do Terceiro Mundo. Donald McHenry, que lidava fluentemente com o “dossier” da Namíbia (a SWAPO, na altura, sofria a “bom” sofrer às mãos da Infantaria do “apartheid”), tratou Arménio Ferreira com excepcional afectividade. Arménio matutava para os seus botões: “Este americano é, talvez, mais “formalista” que Walker, ou mesmo Richard Moose, mas é certamente o mais afectuoso de todos”. Mc Henry sem dúvida que convenceu Arménio da sua “muita sinceridade”. Arménio considerava-o “anti-sul-africano”, logo, “anti-apartheid”. Além disso, o enviado de Agostinho Neto estava convencido de que Donald McHenry iria suceder a Andrew Young como embaixador norte-americano nas Nações Unidas.Nesse mesmo dia (9 de Agosto de 1979), ao cair da tarde, em Washington, o emissário especial do presidente Neto ouviu do norte-americano Walker (subsecretário de Estado para os Assuntos Africanos) os mais rasgados elogios. Walker destacou, vivamente, “a eficiência do trabalho” de Arménio Ferreira em prol da aproximação Washington-Luanda. Walker teria dito, entrementes: “Eu não vou repetir aqui as afirmações há pouco proferidas pelos senhores Bzerzinski e McHenry. Quero, isso sim, afirmar que devemos esquecer, Angola deve esquecer a ajuda que os Estados Unidos prestaram, em tempos, à República do Zaire e à FNLA”.Walter, que sabia ser insinuante, aproveitou para lembrar que ele próprio fora o arquitecto, no Departamento norte-americano de Estado, da aproximação Angola-Zaire.Em Luanda, o enviado do JN ouviu, a propósito, Lopo do Nascimento, actualmente secretário-geral do MPLA, outrora primeiro-ministro durante a presidência do dr. Agostinho Neto. De facto, Lopo deixou bem claro que Donald Mc Henry foi pedra fulcral nas diligências que levaram à “normalização” das relações entre Luanda e Kinshasa. Lopo não falou de Walker. Nessa altura (1977-1979), foram realmente frequentes os encontros de McHenry, inclusivamente em Luanda, não só com Lopo do Nascimento mas, igualmente, com o próprio presidente Agostinho Neto. Falta saber, contudo, se, naquele tempo, a “normalização” teria sido pensável e realizável sem a activa disponibilidade do então presidente do Congo-Brazaville, Marien Nguabi. Com Walker ou sem Walker.Como quer que seja, ninguém duvida, hoje, da importância que as diligências de Mc Henry, na África Austral, chegaram a conhecer no tocante ao arrefecimento das fricções entre Luanda e Kinshasa. A conclusão a extrair é a de que McHenry foi decisivo no terreno e que Walker tê-lo-á sido no interior mais profundo do Departamento norte-americano de Estado.  

A MÁQUINA DOS “STATES”!!!

A verdade é que Arménio Ferreira, o emissário especial que Agostinho Neto, discretamente, accionava a partir de Lisboa, ficou detentor de uma experiência absolutamente singular. Sem ser político, ou diplomata, de carreira. Arménio Ferreira sentiu, por dentro, o pulsar das “dúvidas” e das “certezas” norte-americanas. Em dado momento das conversações nesse 9 de Agosto de 1979, Walker disse ao enviado de Neto: “Peço-lhe que diga ao presidente Neto que não é fácil, em Washington, a vida de quem é favorável a Angola!”.Uma declaração, no mínimo, electrizante. Historicamente significativa de quanto, nos Estados Unidos da América do Norte, Angola (a Angola dos tempos de Agostinho Neto), “perturbava” a terrível máquina dos “States”. Walker (da Secretaria de Estado para os Assuntos Africanos) pediu, de facto, a Arménio Ferreira, que fizesse o dr. Neto compreender esse drama: “Diga ao presidente Agostinho Neto que custa muito trabalho, em Washington, sustentar posições pró-Angola. Porque é preciso lutar contra burocracias internas. Contra a má vontade das várias comissões, de vários senadores e deputados. Contra uma Imprensa sempre ávida de assuntos e situações que possam colocar mal os amigos de Angola!”.   

NETO ELOGIADO PELA CASA BRANCA!

Desabafo insinuante de Donald McHenry: “Eu tenho um fraco por Angola, sou o americano que mais vezes foi a Angola depois da independência…” Quando o dr. Agostinho Neto se evadiu da prisão, em Portugal, lembra Arménio Ferreira, “eu mesmo fui buscá-lo à Praia das Maçãs”. Para dar continuidade à operação que levaria Neto para o exterior, até à sua fixação em Kinshasa, República do Zaire. Aconteceu em 1961. Dezoito anos mais tarde, Agostinho Neto foi “buscar” Arménio Ferreira a Lisboa para seu emissário-estratega nas conversações com os americanos. Desconfiados do “comunismo” de Neto (e do MPLA).O que o dr. Arménio constatou, face às declarações dos seus interlocutores, só poderia ser gratificante para António Agostinho Neto, chefe do Estado angolano. Donald McHenry, que sobraçava, na Administração norte-americana, o “dossier” da Namíbia, disse a Arménio ter gostado “imenso” do acolhimento que lhe havia sido dispensado, em Luanda, à sua chegada. “Instalaram-me numa casa maravilhosa”, lembrou o alto funcionário de Washington. “Encantou-me aquela vista de sonho da baía de Luanda”, disse ainda McHenry com manifesto enlevo.Uma particularidade, que Arménio Ferreira sublinha: “As conversações, curiosamente, realizaram-se, no Departamento norte-americano de Estado, nos gabinetes de Andrew Young, precisamente um dia antes de este ter apresentado a sua demissão ao presidente Jimmy Carter”.Era a tarde de 16 de Agosto de 1979. Conversou-se muito sobre a tormentosa questão da Namíbia. E, em dado momento, Donald McHenry teve este desabafo: “É justo salientar a actividade construtiva do presidente Agostinho Neto em relação ao problema da Namíbia! Conheço o resultado das negociações com o senhor Kurt Waldheim, secretário-geral das Nações Unidas. E sei também que o senhor Kurt Waldheim ficou com uma excelente impressão do presidente Agostinho Neto!”  

ENCANTADOS!

Donald Mc Henry foi mais longe, ainda, no reconhecimento da acção do presidente angolano: “O Governo dos Estados Unidos da América do Norte considera muito a acção construtiva do dr. Neto, relativamente à resolução do problema da Namíbia. Sem essa ajuda angolana a resolução seria, certamente, impossível!”. E o alto funcionário da Casa Branca não se dispensou sequer de vaticinar: “Desejo que, entretanto, Angola ultrapasse os seus problemas internos, para que o seu presidente possa, enfim, dedicar-se profundamente à reconstrução económica e social do país”. McHenry quis reconhecer, também, por outro lado, que o presidente Neto “falara grosso” para a SWAPO ter mais cuidado com as suas “movimentações no território namibiano”.No final das conversações, era ainda McHenry a dizer para Arménio Ferreira: “O presidente Carter e o secretário de Estado, Cyrus Vance, estão ao corrente de todas estas conversações e apreciam muito a colaboração que o dr. Arménio Ferreira tem prestado nesse sentido”. E, depois, de regresso à “intimidade”, McHenry deixou escapar: “Eu tenho um fraco por Angola. Provavelmente, eu sou o americano que mais vezes foi a Angola depois da independência. Já causa inveja a minha resistência de “globetrotter” aéreo… mas, do que eu realmente gostaria, se entretanto não morrer, era de ver normalizadas as relações entre o meu país e Angola”!Num gesto fagueiro e cortês, Donald McHenry e Richard Moose enviaram telegramas e ramos de flores à esposa de Arménio Ferreira, entretanto internada numa clínica norte-americana.     

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