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Textos e Documentos sobre a Hitória de Angola

Amnistia International quer julgamento para raptores de Cassule e Kamulingue

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A Amnistia Internacional (AI) exige das autoridades angolanas uma explicação em relação à notícia de que os activistas de Isaías Cassule e Alves Kamulingue teriam sido raptados e mortos por elementos da segurança do estado.
Amnisita Internacional quer tribunal para raptores de Kamulingue e Cassule -
Isaías Cassule e Alves Kamulingue desapareceram em Maio do ano passado quando organizavam uma manifestação anti-governamental.
O portal Club K disse recentemente que o Ministério do Interior “responsabilizou o desaparecimento dos dois activistas a uma operação movida por elementos da delegação de Luanda dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado, SINSE”.
Um relatório sobre o assunto teria sido entregue ao presidente dos Santos e elementos da delegação de Luanda dos Serviços de Inteligência e Segurança do estado teriam já sido presos.
Mariza Castro coordenadora da campanha da Amnistia Internacional contra o desaparecimento de Kassule e Kamulingue, disse à Voz da América que ao ser verdade a notícia, a sua organização deverá obrigar a responsabilização criminal de Sebastião Martins, director nacional do SISE.
“ Nós vamos pedir que as pessoas responsáveis destes assassinatos devem ser punidas, devem ser trazidas perante um tribunal,” disse a pesquisadora da Amnistia Internacional, acrescentando que “ também devem ser responsabilizados os superiores destes agentes”.
“Não é possível que os agentes de segurança actuem duma maneira que os seus superiores não tenham conhecimento,” disse.
Aquela responsável da Amnistia Internacional revelou que desde o desaparecimento dos dois activistas em Maio do ano passado que, a sua organização e grupo de trabalho da ONU sobre desperecimentos forçados têm solicitado ao governo angolano uma explicação sobre o padeiro dos mesmos , mas nunca tiveram resposta.

Mariza Castro disse que a sua organização ainda não contactou o governo angolano em função desta ultima noticia, sublinhando que Amnistia Internacional irá instar as autoridades angolanas através de conversações directas e também através de outros governos assim como a ONU, para pressionarem o governo de Angola a dar uma explicação e actuar com base na lei.
A Amnistia Internacional também irá apelar as autoridades angolanas a indemnizarem os familiares dos activistas.
“ Vamos pedir também que estas pessoas digam onde estão os corpos, o que fizeram com os corpos para que as famílias possam enterrar os seus seres queridos.«,” acrescentou.
Segundo o Club k , depois de mortos, os cadáveres dos dois activistas foram atirados no rio Dande, no Bengo, numa área onde habitam jacarés que os terão devorados.

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O futuro presidente de Angola é o próprio filho do Presidente

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Histórico do MPLA revela que “O futuro presidente de Angola é o próprio filho do Presidente”

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Práticas da Polícia Angolana

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Agentes encontrados mortos podem ter sido abatidos pela própria polícia

As autoridades angolanas ainda não reagiram as informações postas a circular em Luanda, aventando que os três agentes da polícia nacional recentemente encontrados sem vida, no município do Cacuaco, em Luanda, poderão ter sido abatidos por operativos da chamada “baixa visibilidade”.

Nas referidas informações alude-se que a execução dos mesmos terá sido calculada no sentido de se atribuir a autoria do crime a UNITA, para causar sentimentos de rejeição/revolta contra esta força política que tem aquele município como praça eleitoral.

A referida versão, aparentemente originaria de meios  policiais “opostos as tais práticas” tem sido tomada em consideração tendo em conta que os profissionais da ordem pública têm a capacidade de identificar quando um crime é praticado por marginais ou por eles próprios.

Em razão do qual, tem-se encarado sustento na referida tese, devido a particularidades da característica do assassinato, mas também no comportamento mediático das autoridades. Os três agentes terão sido mortos quando eram cerca das 3.30 horas do primeiro dia de Junho.

Logo após o aparecimento dos cadáveres, a polícia nacional, sem ter feito alguma investigação declarou que se tratou de um acto protagonizado por “marginais”. Poucos dias depois, redefiniram os seus discursos alegando que foi um acto protagonizado por “elementos não identificados, que continuam em fuga”.

O discurso da polícia foi igualmente revestido de referências e chamadas de atenção a UNITA, como sendo “irresponsável”. (O principal partido da oposição em Angola acusou a polícia de ter morto dois dirigentes seus 24 horas depois de ter se registado o assassinato dos polícias).

De acordo com conhecimento, de situações policiais, em situações naturais, a investigação criminal recorrendo a métodos avançados teria já apresentado publicamente os autores dos crimes e a respectiva explicação do que terá acontecido com os três agentes encontrados mortos.

Há igualmente conhecimento de uma segunda versão, de consistência evasivas, insinuando que um dos agentes estaria com dívidas e que encarou à morte por efeito de uma retaliação que atingiu acidentalmente os outros dois colegas.

Porém, no sentido de se atenuar a tese de que os três agentes foram mortos pela própria polícia para atribuir culpas a UNITA, há recomendações de meios habilitados desafiando a corporação a apresentar exames balísticos para esclarecer se as balas disparadas naquela noite terão ou não saído de uma arma do uso exclusivo da polícia nacional.

Em conformidade com a história, há países com a mesma característica autoritária ao do regime angolano que optam por tais práticas desde o século passado. Alexander Litvinenko, um ex-espião russo contou em livro que na década de 90, os serviços secretos russos colocaram uma bomba num edifício de três andares nos arredores de Moscovo que provocou a morte dos seus habitantes.

Mais tarde as autoridades, segundo o denunciante, atribuíram a autoria do crime a militantes da Tchetchênia. Logo a seguir, os populares em Moscovo passaram a sentir um sentimento de ódio contra os tchetchenos levando muitos jovens a se oferecem autoridades para ingressarem no exercito a fim de se vingar dos mesmos.

Episódio semelhantes viriam aconteceram em Angola. Em 1975, o MPLA retirou corações de cadáveres na morgue do Hospital de Luanda (actualmente Américo Boavida) e colocou-os nas instalações da FNLA, tendo de seguida apresentando na televisão como evidência de que este partido comia pessoas. Logo a seguir, a população de Luanda revoltou-se contra a FNLA, escorraçando-os da cidade.

Já em 1992, como forma de se evitar a realização das segundas voltas das eleições presidências em Angola (que tinha como concorrente Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi), as autoridades deram armas as população e lançaram o rumor de que a UNITA iria fazer guerra para tomar o poder.

Em reacção, as FAA e polícias foram orientadas a vestirem se de civil, fazendo-se passar de população acabando por expulsar de Luanda a direcção da UNITA. O vice-presidente deste partido e altos dirigentes que estavam a negociar com o governo a segunda volta das primeiras eleições gerais em Angola, foram mortos pelo regime.

“Os agentes da Polícia são nossos irmãos e irmãs. Eles precisam de nós para se libertarem também daqueles que querem utilizá-los para cometer crimes!” – Isaías Samakuva.

Nos dias de hoje sempre que se a próxima as eleições, as autoridades recorrem à mesma prática e usam discursos belicistas apontado a UNITA como fazedor da guerra.

No passado dia 7 de Junho, discursando a margem do velório de dois malogrados dirigentes da UNITA, Filipe e Mamuko, mortos pela polícia no Kikolo, o líder desta formação, Isaías Samakuva, teria alertado a cerca de um suposto plano do regime para se “arranjar desculpa para fazer novos massacres, para poderem manter-se no poder”.

“Vamos manter a paz! Vamos manter a paz! Manifestemos a NOSSA REPULSA, a nossa total INDIGNAÇÃO contra estes hediondos crimes. Digamos aos inimigos da paz que o povo angolano já não cairá na sua ratoeira. Não haverá mais lutas entre angolanos. Não haverá mais Sextas-Feiras sangrentas. Não haverá mais 27 de Maios, nem Cuitos Kwanavales. Não cairemos mais nesta ratoeira!” alertou.

Segundo o político “os inimigos da paz estão identificados. São meia dúzia de pessoas que querem lançar outra vez o país na confusão! Querem lançar os angolanos uns contra os outros. Querem arranjar uma desculpa para fazer novos massacres, para poderem manter-se no poder.”

“Vamos respeitar a polícia, porque os agentes da polícia são nossos irmãos e irmãs. Eles precisam de nós para se libertarem também daqueles que querem utilizá-los para cometer crimes. A luta do povo não é contra a polícia, nem contra os agentes da ordem pública. A luta do povo é contra o crime, contra a corrupção, contra a ditadura!”, apontou.

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27 de Maio 1977 por William Tonet

Agostinho

27 de Maio 1977: Supressão de Agostinho Neto tinha antecedentes ” diz William Tonet

Notícias 
Escrito por Redação
Segunda, 27 Maio 2013 08:38

No período em torno de 27 de Maio de 1977, o jornalista angolano William Tonet trabalhava no gabinete de Nito Alves, então Ministro da Administração Interna, e acompanhou a perseguição aos “fraccionistas”.

Hoje, William Tonet é um dos poucos jornalistas que escreve sobre o 27 de maio em Angola. A DW África falou com ele e começou por abordar os antecedentes.

DW África: O que aconteceu, por exemplo, com Matias Miguéis, então vice-presidente que havia abandonado o MPLA por dissidências, tendo-se filiado na FNLA [a Frente Nacional de Libertação de Angola] em 1965?

William Tonet (WT): Naturalmente, não foi pacífica a chegada do presidente Agostinho Neto ao MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola]. Por aquilo que se conhece da nossa história, enquanto movimento de libertação, o MPLA era, de facto, no ano [de 1960] um movimento congregador e que tinha uma direção mais ou menos colegial, portanto, com a chegada de Agostinho Neto, que foi convidado para liderar o movimento, é o início de uma série de dissidências: Agostinho Neto, em vez de se constituir como elemento congregador, foi um elemento divisor.

É com Agostinho Neto que surgem os grandes movimentos de dissidências. Tivemos, de facto, o caso horripilante do vice-presidente Matias Miguéis.

Ora, nós sabemos que Agostinho Neto foi preso nas condições em que foi preso, ele não havia sido torturado como ele veio a torturar aquele que foi vice-presidente [Matias Miguéis] e que mais se bateu para a sua libertação das mãos do jogo colonial português. Matias Miguéis, por ordens expressas de Agostinho Neto foi preso, enterrado vivo com a cabeça de fora cerca de 48 horas. Depois disso, não resistiu.

E era humilhado, uns [urinavam-lhe] na cabeça, outros cuspiam, outros pontapeavam, [algo] que até o próprio colonialismo não havia feito a angolanos que tinham um dedo de testa. E um exemplo é o próprio Agostinho Neto.

DW África: O que aconteceu com a chamada revolta de leste, um grupo de guerrilheiros do MPLA do leste de Angola que não concordou com a política da ala de Agostinho Neto?

WT: É preciso esclarecer que, no MPLA, nós nunca tivemos uma revolta do leste. Tivemos esse movimento de 65, depois tivemos um outro movimento em 66, em que houve uma queimada de pessoas acusadas de feitiçaria e que [supostamente] estavam a tentar derrubar o presidente Agostinho Neto em Brazzavile [República do Congo]: à cabeça temos o comandante Paganini, mas houve um movimento que é a “rebelião da jibóia”, comandada por Katuwe Mitwe, que foi uma reivindicação de guerrilheiros.

Ora, quem foi fazer o inquérito na frente leste foi o então outro vice-presidente, Daniel Júlio Chipenda e, chegado lá, ao abordar o comandante Katuwe Mitwe e a direção, perguntou se aquilo era mesmo uma rebelião – porque rebelião [acontece quando] alguém que se confronta de fora para dentro – e se eles achavam ainda que eram do MPLA e que reivindicavam apenas uma determinada situação. E a maioria das pessoas disse que, de facto, se tratava de uma revolta.

Já havendo revolta ativa, por analogia, sugeriu-se que, em vez de ser a rebelião da jibóia – porque afinal era uma reivindicação face a determinadas políticas da direção, até porque era no leste – ficasse revolta do leste. Portanto, foi uma sugestão então avançada pelo vice-presidente que foi o coordenador da comissão de inquérito sobre a rebelião da jibóia.

DW África: Muitos dos protagonistas do 27 de maio eram militares da chamada Primeira Região Militar. O que diz sobre os que lutaram contra o colonialismo português em Luanda?

WT: É preciso distinguir que não eram só militares que integravam o movimento contestatário. O MPLA configurou-se como um partido, um movimento que englobava e respeitava várias tendências. Mas depois começou a ter um cariz muito mais ditatorial, de abafamento. Basta ver que o comandante Nito Alves – que era uma pessoa [até das mais comprometidas] com a ideologia comunista – batia-se por algumas situações que estavam muito próximas de Agostinho Neto. Ora, foi graças a uma estratégia do comandante Nito Alves que o presidente Agostinho Neto não perdeu completamente a direção do MPLA.

Portanto, se houver honestidade política e intelectual das pessoas, e um dia que a história do MPLA [seja] feita despida de paixões, veremos que o primeiro presidente democraticamente eleito na história do MPLA foi Daniel Júlio Chipenda no Congresso de Lusaka. Então, no próprio movimento do 27 de maio, tínhamos o comandante Nito Alves, mas temos logo a secundar o Zé Van Dúnem. O Zé Van Dúnem é da luta clandestina, não provém verdadeiramente da guerrilha, era um preso político de S. Nicolau, a Sita Valles também, portanto nós temos um conjunto de gente que não eram elementos da guerrilha.

O que se pretendia era que houvesse uma clarificação ideológica, não é possível que um movimento de libertação que vinha lutando contra o colonialismo português, que falava contra o imperialismo norte-americano, que depois de 1974, o presidente Agostinho Neto tivesse ido para o Canadá negociar a manutenção dos americanos da Chevron nas plataformas petrolíferas, quando o principal [financiador] de então do MPLA eram os soviéticos e os soviéticos também eram uma potência em petróleo. Isto aconteceu, porque houve necessidade de alguns questionarem o rigor e a precisão da nossa corrente ideológica. O que é que iríamos seguir de facto? A esquerda comunista ou centro esquerda ou o liberalismo? E isso Neto não chegou a clarificar.

DW África: Falemos de Nito Alves. Qual era o modelo do poder popular que Nito Alves defendeu? Alguns investigadores dizem que o poder popular foi considerado uma ameaça a Agostinho Neto.

WT: É preciso repor a verdade histórica: o pai da criança não é Nito Alves. O próprio movimento tinha isso como elemento aglutinador e congregador das vontades para a luta de libertação. Basta [vermos as vezes em que a expressão "poder popular" foi usada] pelo próprio presidente Agostinho Neto. Se o poder reside no povo, era preciso que o povo estivesse presente em todos os atos.

Por outro lado, a materialização dessa orientação foi expressa numa resolução do próprio Conselho da Revolução e da própria direção do MPLA. O MPLA realizou eleições democráticas para os órgãos do poder local, poder popular local, portanto comissões populares eleitas. Ora, não podia haver uma expressão tão profunda, mas os atos serem distintos.

Se isso preocupava? Preocupava, porque, ao mesmo tempo que se prendia a expressão, as pessoas gostariam de continuar a nomear responsáveis eleitos pelas populações das comissões de bairro, dos municípios e aí [começaram] as contradições, porque alguns achavam que, pelo facto de terem vindo da mata, poderiam imediatamente ser responsáveis.

Aliás, quando se parou esse movimento de pendor comunista, nós vimos o que aconteceu. Nada mais evoluiu, porque pessoas que não estavam identificadas com as regiões, com os bairros, começaram a ser nomeadas e é o descalabro que ainda hoje nós vamos conhecendo.

BIOGRAFIA de Nito Alves

Com base na obra de Nito Alves, ” Memória da Longa Resistência Popular”, editada pela África Editora em 1976, procura-se traçar aqui o perfil do Guerrilheiro, do Poeta e sobretudo do Revolucionário.

Acreditando que a Revolução podia ser comparada a uma monstruosa elevação feita de vertentes escarpadas e difíceis de transpor e que só os fortes e persistentes a poderiam escalar, Nito Alves, fiel ao heróico Povo Angolano, aos guerrilheiros e a todos os colegas de armas e sofrimento, abatidos durante a guerra, seguiu o seu exemplo até às últimas consequências possíveis da sua opção política.

A 23 de Julho de 1945, na aldeia do Piri, concelho dos Dembos (actual província do Kuanza Norte ) nasceu em Angola, Alves Bernardo Baptista, filho de Bernardo Baptista Panzo e de Maria João Paulo.

Teve uma infância e adolescência, profundamente marcadas pela agressão e hostilidades permanentes de condicionalismos sociais e políticos que o rodeavam e comprimiam, frutos malditos do colonialismo opressor que mantinha ferozmente dominada a sua pátria e o seu povo.

Falando um dia de si afirmou:

«A minha infância é comum à de todas as crianças na minha dura condição de jovem, numa aldeia sem luz eléctrica, nem água canalizada, nem um mínimo de requisitos.»

«A minha instrução primária foi toda ela feita na Escola Rural da Missão Evangélica do piri.»

«Tinha eu treze anos de idade, quando comecei a sentir em mim um sentimento de revolta consciente contra o colono e que hoje explico fundamentalmente por quatro fenómenos que recordo com nitidez, pois marcaram-me profundamente:»

E que acontecimentos influenciaram então decisivamente este jovem de 13 anos?

O facto de um Missionário protestante, obrigar os alunos a ir nas férias para a roça dos colonos colher café.

O cenário de sangue que frequentemente se desenrolava ante os seus olhos em que mulheres e homens-contratados eram forçados a colher café nas plantações cafeícolas da então Sousa Leal, do alemão Kay.

O da visão que este jovem tinha do drama do ajudante negro que passava em cima da camioneta do colono, sempre de cabelo enevoado de poeira.

O facto de ter sido reprovado no exame da terceira classe e de ouvir a justificação do padre católico que presidia ao júri: «ele sabe aritmética, fez bom ditado, boa cópia, um desenho regular, mas tem de reprovar porque é protestante e não sabe a Ave-Maria!»

«Concluída a instrução primária em 1960, parte para Luanda onde seu pai conseguiu matriculá-lo…Ganha uma bolsa de estudo e parte para o Quéssua, Malange, onde faz o segundo ano liceal. Regressado a Luanda, frequenta o Colégio da Casa das Beiras…»

Nito Alves nunca esqueceu a Directora daquele Colégio, Olívia de Oliveira Martins Conde, que terá contribuído decisivamente para que ele terminasse o 2º ano do ensino liceal.

«Em 1966 começa a trabalhar na Direcção Geral da Fazenda e Contabilidade, em Luanda, tentando simultaneamente prosseguir os estudos, no curso nocturno do 6º ano do então chamado Liceu salvador Correia. Entretanto, vinha desenvolvendo desde 1965 intensas actividades políticas clandestinas que acabaram por o tornar alvo das atenções da PIDE.

Muitos dos seus camaradas são presos e enviados para o terrível campo de S. Nicolau. Nito Alves, porém, no próprio dia em que iria ser preso (6 de Outubro de 1966), consegue escapar-se às garras daquela sinistra polícia.»

«Alves Bernardo Baptista e Lima Pombalino Martins (Tadeu )…,chegam à Primeira Região Político Militar do MPLA no dia 9 de Outubro de 1966»

«Sob o comando de um então já bem conhecido comandante militar, Jacob Alves Caetano, cuja lenda corre todo o norte de Angola como o grande Comandante Monstro Imortal…, instala-se na área do esquadrão Cienfuegos e anima-se toda a região.»

«Intenso e duro treino de guerrilhas aguarda o jovem Alves Bernardo Baptista: todo o ano de 1967 é o teste de sangue e fogo em que presta brilhantes provas. Em 1968 com a chegada de parte dos sobreviventes do Esquadrão Kamy, Nito Alves é chamado para a direcção do CIR. Até 1971 mergulha a fundo no estudo do Marxismo-Leninismo, como autodidacta que a própria luta quotidiana vai caldeando em permanente apuramento.»

«O ano de 1973 findava carregado e negro de perspectivas para os homens da Primeira Região. O cerco de ferro e de fogo do colonialismo agónico, apertava-se sobre a Primeira Região Militar», e foi contado assim:

«Guerra sem frente, nem retaguarda / «faltaram as munições» / «Vieram os “Flechas”», os “G.es” e “T.es” / «fizeram tiros na noite e na madrugada/ e mataram, mataram, assassinaram, assassinaram». E «vieram as doenças inimagináveis» e o monstro da fome com o seu cortejo de mortes». Porém, «O Povo não se rendeu». Na Primeira Região Militar de Angola, no mais aceso e desesperado cerco de ferro e fogo que o colonialismo cada vez mais ia apertando, «esgotaram-se todas as leis da guerrilha e toda a inteligência militar», reúnem-se os responsáveis político militares …

Memória da Longa Resistência Popular

Nestes excertos do seu livro, faz-se referência a um dos momentos mais decisivos da luta da 1ª Região Político Militar. Esse momento em, que reunidos os mais velhos, se encarou a hipótese de parar a luta pelas dificuldades inultrapassáveis face à pressão do exército colonial, da FNLA e ao isolamento a que esta região militar estava votada pela impossibilidade de receber apoios da Direcção do MPLA no exterior.

No entanto, esse isolamento era também na altura a realidade de todo o MPLA, que esteve mesmo em vias de ser esmagado no exterior de Angola, pela pressão de muitos estados Africanos contra a direcção de Agostinho Neto.

Nito Alves teve neste contexto, em meados de Janeiro de 1974, um papel decisivo quando foi designado pelos mais velhos para ir a Luanda clandestinamente em busca de apoios e para estudar hipóteses de lançar a guerrilha urbana. Fê-lo juntamente com o seu velho companheiro de aventura e guerrilha o camarada Adão. Sabe-se que muitas portas se lhes fecharam quando se anunciaram aos contactos de ligação que existiam.

Ficaram por se saber alguns desses nomes que bateram as portas, no entanto dois nomes ficaram na história de um encontro, o de Albertino Almeida e do Dr. Macmahon Vitória Pereira. Estes receberam e apoiaram Nito Alves que no seu regresso levou à 1ª Região as boas novas que por lá soaram como um sopro de esperança de uma reviravolta eminente em Portugal. Cerrou-se então fileiras entre os combatentes para resistir por todos os meios ao desânimo que se apoderava de todos.

Nito Alves

No rescaldo dos dias posteriores ao chamado “ Golpe de Estado “, Nito Alves terá fugido para a sua região de origem, a célebre I Região Político Militar do MPLA, aonde acabou por ser apresentado à televisão como supostamente capturado pelas populações locais.

A confirmar-se a hipótese de ter sido feita uma montagem da sua captura, tal confirmaria a hipótese apontada por muitos de se ter ele próprio vindo entregar a Luanda a fim de evitar mais mortes.

Sabe-se também que depois de preso, foi selvaticamente torturado e humilhado. Recentemente, houve o testemunho de um militar de nome João Kandada, a residir em Espanha, que assumiu o ónus de o ter fuzilado sob ordens de Iko, Onambwe e Carlos Jorge, estando ainda a assistir Ludy Kissassunda Veloso e outros.

Este confesso assassino diz ter cometido tal crime a mando da chefia da DISA, reconhecendo ainda que corpo do lendário comandante da I Região Político Militar, foi posteriormente atirado ao mar com pesos para se afundar.

Confessou também na mesma entrevista, publicada no jornal “folha 8” de 26 de Maio de 2001, que a célebre ambulância com os heróis carbonizados, teria feito parte do plano para diabolizar os apoiantes de Nito Alves tendo sido o mesmo concebido e executado por pessoas da DISA.

O mistério da sua morte, obscurece-se com o passar dos anos, em que os dirigentes ainda vivos, silenciando as suas vozes se mostraram até agora incapazes de confessar os hediondos crimes, pretendendo ocultar às gerações futuras factos históricos relevantes da Nação Angolana. Sabe-se também, que a título póstumo, Nito Alves terá recentemente sido promovido de Major a Brigadeiro.

Nito Alves disse um dia: « Os que fazem a História nem sempre podem escrevê-la»

Veja: Rádio Cultura Angolana

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Angola – Campeão Mundial de Preços Pesados

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Terça-feira, 30 Abril 2013 - 11:19 am · 11:19 AM

Investigadora da Human Rights Watch agredida em Luanda

Quatro jornalistas, entre os quais o conhecido activista e investigador Rafael Marques foram levados para a Unidade Operativa de Luanda da Polícia Nacional

Por Alexandre Neto | Luanda

Ler aqui: Voz da América

  • Veja mais:
  1. Veja aqui imagens da repressão em Angola : Policia do MPLA 
  2. Violência policial contra manifestação anti-Eduardo dos Santos
  3. Os Rostos da Repressão em Angola
  4. Cumplicidade Assassina

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Rafael Marques

Rafael Marques é um jornalista angolano corajoso. Considero-o um grande angolano, apesar das ameaças decidiu apresentar queixa contra dirigentes do regime angolano ou seja do MPLA.

Pode ler aqui um recente e interessante trabalho de investigação que vai ao centro da questão: «Presidência da República: O Epicentro da Corrupção em Angola»

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